Caçadores de Medula Óssea

Laboratório Novartis: Tasigna ® supera o Glivec ®

Posted on: 04/05/2012

 

A Novartis apresentou, esta segunda-feira, na reunião anual da American Society of Hematology dados de 24 meses de um estudo de fase III, ainda em andamento, que mostram que o Tasigna® (nilotinib) superou e “continua a superar” o Glivec® (imatinib), ao retardar a progressão da doença em adultos recém-diagnosticados com leucemia mielóide crônica positiva para o cromossomo Filadélfia (LMC Ph+) em fase acentuada, informa o site FirstWord.

Hervé Hoppenot, diretor da unidade de Oncologia da Novartis, afirmou que “agora acreditamos que o Tasigna ® está demonstrando uma oportunidade de superar o Glivec ®, por um longo período de tempo e com um perfil de segurança muita bom.”

No estudo ENESTnd, 846 adultos recém-diagnosticados com LMC Ph+ em fase crônica receberam uma das duas doses do Tasigna® duas vezes por dia, ou o Glivec®. A Novartis divulgou os resultados do estudo após 12 meses e 18 meses de acompanhamento.

A principal resposta molecular foi alcançada em 24 meses em 71% e 67% dos pacientes tratados com a dose mais baixa e mais elevada do Tasigna® respectivamente, comparando com 44% dos doentes tratados com o Glivec®.

“Os dados também indicaram que a resposta citogenética completa foi alcançada em 87% e 85% dos pacientes que receberam o Tasigna®, em comparação com 77% dos doentes tratados com o Glivec® durante 24 meses.

Além disso, os resultados mostraram que menos pacientes progrediram para as fases acelerada e blástica ao receber o Tasigna® em qualquer dose, comparando com o Glivec®, por isso a Novartis disse que o fármaco demonstrou “uma melhoria significativa no controlo da doença.”

Em Junho, a FDA (Food & Drug Administration) expandiu a aprovação do Tasigna® para incluir o tratamento de doentes adultos recém-diagnosticados com LMC Ph+, com base em resultados de 12 meses do ensaio ENESTnd. Em Setembro, os reguladores europeus recomendarão a aprovação do medicamento para esta indicação.

Saiba mais sobre o Tasigna ®

Para pacientes recentemente diagnosticados com leucemia mielóide crônica (LMC), existem 2 novas drogas – dasatinibe (Sprycel, Bristol Myers Squibb) e nilotinibe (Tasigna, Novartis) – são constatadamente superiores à droga de primeira linha padrão, imatinibe (Glivec, Novartis), na indução de respostas citogenéticas e moleculares.

Dois estudos que evidenciaram a superioridade foram apresentados no encontro anual da American Society of Clinical Oncology, e publicados na edição eletrônica do New England Journal of Medicine.

O dasatinibe (Sprycel) e o nilotinibe (Tasigna) são ambos a próxima geração de inibidores tirosina BCR-ABL aprovados como terapia de segunda linha para pacientes com LMC, caso a terapia com o imatinibe (Glivec) falhar ou não for tolerada.

Entretanto, nenhuma das duas drogas foi aprovada como terapia de primeira linha, contexto em que foram testadas nesses 2 ensaios clínicos.

Há uma necessidade para outras terapias de primeira linha na LMC visto que aproximadamente 20% dos pacientes não atingem uma resposta citogenética completa com o imatinibe e outros podem eventualmente desenvolver resistência.

Tanto o nilotinibe quanto o dasatinibe são mais potentes do que o imatinibe, observa Charles L. Sawyers, médico, em um editorial que acompanha a publicação de ambos os estudos. O Dr. Sawyers é do Howard Hughes Medical Institute, na cidade de Nova York.

No estudo com o dasatinibe, a taxa de resposta citogenética completa confirmada foi significativamente mais alta em pacientes que receberam dasatinibe do que naqueles que receberam imatinibe em 12 meses (77% vs 66%; P =0,007).

A taxa de resposta molecular maior também foi melhor com o dasatinibe (46%) do que com o imatinibe (28%), e os pacientes que receberam dasatinibe atingiram respostas em um período mais curto (P < ,0001).

No segundo estudo, o nilotinibe foi considerado superior ao imatinibe em pacientes recentemente diagnosticados com LMC. Em 12 meses, as taxas de resposta citogenética completa forma significativamente mais altas em pacientes que receberam nilotinibe (80% para 300 mg e 78% para 400 mg) do que naqueles que receberam imatinibe (65%; P < 0,001 em ambas as comparações).

Nas duas doses, aqueles que receberam nilotinibe apresentaram uma melhora significativa no tempo até a progressão para a fase acelerada ou crise blástica, comparados àqueles que receberam imatinibe.

Os resultados do estudo com o nilotinibe foram divulgados pela primeira vez no encontro anual da American Society of Hematology em 2009, conforma reportado pela Medscape Oncology, quando o acompanhamento médio era de 13,8 meses.

Fim de uma era?

O imatinibe foi a primeira droga de sua classe; porém, nos padrões atuais, ele apresenta uma potência relativamente baixa e inibe seu alvo em concentração micromolares, ao invés de nanomolares, escreve o Dr. Sawyers em seu editorial.

Considerando que esses estudos evidenciam a superioridade dos novos componentes como terapia inicial para a LMC, isso significa que o imatinibe já não é mais útil?

O Dr. Sawyers aponta que o imatinibe será “sempre consagrado” na história da oncologia, mas os novos dados obtidos com o dasatinibe e o nilotinibe “são um forte argumento” para seu uso como terapia de primeira linha no lugar do imatinibe.

Contudo, a questão econômica pode triunfar, ele observa. O imatinibe pode estar disponível na forma genérica em 2014, e “com as pressões crescentes para equilibrar custo e eficácia, pacientes e consumidores podem ser forçados a selecionar a mais barata entre as 3 opções terapêuticas excelentes”.


Dasatinibe como primeira linha pode melhorar os desfechos

No primeiro estudo, o autor principal Hagop Kantarjian, médico, professor e presidente do departamento de leucemia do University of Texas M.D.

Anderson Cancer Center in Houston, e colaboradores randomizaram 519 pacientes com LMC recentemente diagnosticada em fase crônica ao dasatinibe na dose de 100 mg uma vez ao dia (n = 259) ou imatinibe na dose de 400 mg uma vez ao dia (n = 260).

O critério de validação primário foi uma resposta citogenética completa em 12 meses, confirmada por 2 avaliações consecutivas separadas por pelo menos 28 dias.

As taxas de respostas citogenéticas completas e respostas moleculares maiores foram mais altas no grupo do dasatinibe do que no do imatinibe, e ambas as respostas foram obtidas significativamente mais rápido; o hazard ratio para a resposta molecular maior foi 2,0 (P < ,0001) e para a resposta citogenética completa foi de 1,5 (P < 0,0001).

A progressão para a fase acelerada ou blástica ocorreu em 5 pacientes no grupo do dasatinibe (1,9%, todos fase blástica) e 9 pacientes no grupo do imatinibe (3,5%, todos fase blástica).

Os autores observaram que as toxicidades hematológicas graus 3/4 foram semelhantes em ambos os grupos, embora a trombocitopenia tenha sido mais comum com o dasatinibe do que com o imatinibe (19% vs 10%).

Eventos adversos não hematológicos de todos os graus foram observados em pelo menos 10% dos pacientes: retenção de fluidos, 19% com o dasatinibe e 42% como o imatinibe; náuseas, 8% e 20%; vômitos, 5% e 10%; mialgia, 6% e 12%; inflamação muscular, 4% e 17%; rash, 11% e 17%, respectivamente.

“Temos observado mais pacientes com LMC desenvolvendo resistência ao imatinibe, assim, esses resultados são muito excitantes”, disse o Dr. Dr. Kantarjian.

“Nossos resultados sugerem que ao utilizar o dasatinibe inicialmente em pacientes com LMC recentemente diagnosticada, nós podemos melhorar os desfechos”.

Sonali Smith, médica, professora associada de medicina da University of Chicago em Illinois, observou que os resultados são encorajadores e podem fornecer novas opções aos pacientes. Mas como advertência, ela apontou que o acompanhamento é curto.

“Também não sabemos muito sobre a sobrevida a longo prazo. Felizmente, muitos desses pacientes vivem por muitos anos, assim não teremos esses dados logo”, disse a Dra. Smith, que atuou como co-moderadora de uma coletiva de imprensa na qual os destaques do estudo foram apresentados.


Respostas superiores com o nilotinibe

No segundo estudo, Giuseppe Saglio, médico, da University of Turin San Luigi Gonzaga Hospital, em Orbassano, Itália, e colaboradores do estudo internacional Evaluating Nilotinib Efficacy and Safety in Clinical Trials–Newly Diagnosed Patients (ENESTnd) randomizaram 846 pacientes com LMC a receber nilotinibe na dose de 300 mg duas vezes ao dia (n = 282), nilotinibe na dose de 400 mg duas vezes ao dia (n = 281), ou imatinibe na dose de 400 mg uma vez ao dia (n = 283). O critério de validação primário foi a taxa de resposta molecular maior (≤ 0,1% BCR-ABLIS) em 12 meses.

As taxas de resposta citogenética completa e molecular maior foram superiores com o nilotinibe em ambas as doses, comparadas ao imatinibe, e respostas subótimas e falha do tratamento foram menos freqüentes entre pacientes tratados com nilotinibe, explicou o co-autor do estudo Richard A. Larson, médico, que apresentou os dados.

“Os resultados que estão sendo divulgados hoje foram obtidos após uma média de aproximadamente 18,5 meses”, afirmou o Dr. Larson, que é diretor do programa de pesquisa clínica em neoplasias hematológicas da University of Chicago.

“Com um acompanhamento mais longo, as taxas de resposta molecular maior e resposta citogenética completa continuaram superiores com o nilotinibe em comparação ao imatinibe”.

“As respostas moleculares continuam a se aprofundar com o tempo”, ele acrescentou. “Continuam a haver menos eventos de progressão e mortes relacionadas à LMC com o nilotinibe vs imatinibe.

O acompanhamento mais longo apóia o nilotinibe como o novo padrão de tratamento em pacientes com LMC recentemente diagnosticada”.

Em 12 meses, as taxas de resposta molecular maior com o nilotinibe (44% com 300 mg e 43% com 400 mg) foram praticamente o dobro das observadas com o imatinibe (22%; P < 0,001 em ambas as comparações).

As taxas de resposta citogenética completa, como observadas acima, também foram superiores.

De toda a coorte, 14 pacientes progrediram para a fase acelerada ou crise blástica: 11 (4%) no grupo do imatinibe, 2 (> 1%) no grupo do nilotinibe na dose de 300 mg, e 1 (> 1%) no grupo do nilotinibe na dose de 400 mg.

Nenhum dos pacientes que atingiram a resposta molecular maior progrediu, mas 3 pacientes no grupo do imatinibe sofreram progressão da doença, embora apresentassem uma resposta citogenética completa.


Segurança

Neutropenia graus 3/4 e anemia foram mais comuns no grupo do imatinibe, enquanto a trombocitopenia foi observada com mais frequência nos grupos do nilotinibe.

Eventos não hematológicos de alto grau foram raros em ambos os grupos, e descontinuações da terapia por causa de eventos adversos ou valores laboratoriais anormais foram mais baixos nos pacientes no grupo do nilotinibe na dose de 300 mg (7%).

Reduções ou interrupções na dose ocorreram em 59% dos pacientes que receberam 300 mg de nilotinibe, em 66% dos que receberam 400 mg de nilotinibe e em 52% dos que receberam imatinibe.


Pronto para modificar a prática?

Apesar dos resultados encorajadores, Michael J. Mauro, médico, do Oregon Health and Sciences University, em Portland, não sente que o imatinibe deve ser preterido em favor dos novos agentes.

Existem prós e contras na troca para os novos agentes como terapia de primeira linha, disse o Dr. Mauro, que atuou como debatedor nas duas apresentações.

Ele destacou que o amplo uso dos novos agentes pode levar a mais resistência de alto nível, e o impacto econômico de um tratamento mais dispendioso também deve ser considerado.

“O benefício supera os gastos? Se sim, isso continuará a ocorrer quando o imatinibe genético estiver disponível?”, ele perguntou.

Todavia, esperar para utilizar as drogas de segunda geração como terapia de primeira linha pode ser mais arriscado para o paciente; eles podem acabar sendo tratados em um nível subótimo, o que pode, por fim, afetar os desfechos a longo prazo.

O Dr. Mauro recomenda a continuação do uso do imatinibe como terapia de primeira linha enquanto as autoridades reguladoras consideram os novos dados e a aprovação dos novos agentes para a terapia de primeira linha.

“Devemos continuar a identificar pacientes com resistência e intolerância ao imatinibe e trocá-los para o imatinibe e nilotinibe”.

Se e quando os novos agentes conseguirão a aprovação como drogas de primeira linha, “nós devemos continuar a utilizar o imatinibe em pacientes que apresentam uma resposta ótima a ele”.

Fontes:
American Society of Clinical Oncology (ASCO) 2010 Annual Meeting: Abstracts LBA6500 and 6501. N Engl J Med. Published online June 5, 2010.

Copyright 2012 WebMD, Inc. Todos os direitos reservados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Medulas ósseas transportam amor!

A medula transporta amor!

Caçadores de Medula Óssea

Olá, meu nome é Andréia Kely!

Criei o blog Caçadores de Medula Óssea a fim de reunir todas as informações sobre campanhas de doação de medula óssea, bem como interagir como uma ferramenta educativa, explicativa, esclarecedora e motivadora para todos os que entendem a grandiosidade de doar vida!
Dedico este blog a todos que vivem ou já viveram com diagnósticos de leucemia e doenças do sangue!
Sejam bem vindos, a grande corrente pela vida!

Lembrem-se sempre: Basta apenas uma gota de seu sangue, para que a vida aconteça novamente! A VONTADE é a maior POTÊNCIA do MUNDO!
Aproveitem o seu dia!

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 2.183 outros seguidores

Leia também os posts antigos

Posts por Categoria

Siga-me no Twitter!

Principais acessados

MedVidas – Planos de Saúde, Seguros de Vida

Saúde à Vida

Saúde à Vida

Blog Voluntário



<BannerFans.com






Pensar ECO
Coloque um V em sua foto!
http://avidadependedeumgesto.blogspot.com/
%d blogueiros gostam disto: