Caçadores de Medula Óssea

O “ser” na estrutura de uma bolha de sabão!

Posted on: 06/12/2010

Situação: Engordei 8 Kg,  meus cabelos continuam os mesmos,  pois não caíram (!), estudante de Gestão Pública, anos sem se apaixonar (Aliás, nunca me apaixonei de verdade na minha vida!), desenhando sempre que pode, mas nunca pra eu mesma, sedentária, insegura e chorona. Acreditem nunca me imaginei uma pessoa insegura e chorona, mas, o câncer mudou muitas coisas não só o meu corpo…toda a minha alma está em câncer.

 

Pensei que a sensação de estar levando um tratamento na boa iria se sobrepor a todas as outras sensações ruins que um dia já passei. No começo foi assim, levei o mesmo otimismo que eu tinha nas internações junto comigo pra todos os lugares, esbanjando força e equilíbrio. Mas ai voltei pra realidade, tinha se passado quase seis meses, eu estava gorda, com medos que não tinha antes, e totalmente insegura…sem amigos, pois uma boa parte sumiu, sem perspectivas, sem sonhos, com receio de fazer novos projetos e rodeada de pessoas que mal sabem o que se passava comigo. Não havia contado para ninguém… Onde já se viu eu, insegura?

 

 Meses atrás eu fazia músicas, eu adorava ir ao cinema, saia sempre com meus amigos, adorava dança contemporânea, ballet, teatro e fazia mil e uns  cursinhos, estava feliz com a minha aparência, meu peso, meus hobbys. Para onde tudo isso foi?  Não sei dizer, achei que um dia iria  saber…sei meses depois eu me sinto perdida dentro de mim mesma.
Gosto da faculdade e dos meus novos amigos (e os velhos cadê?), e de poder ter a minha casa quando quero me esconder do mundo (o que acontece muitas vezes) de ir trabalhar como se ainda fosse saudável,  fingir o tempo todo que estou bem e que nada mudou. Mas, uma hora é preciso encarar a verdade e encarar as pessoas, que no fundo só procuram uma história triste para fazer sensacionalismo ou para fingir se importar com o que não se importam.
Sei que não entendem que toda vez que eu me olho no espelho, que eu vejo meu rosto, eu penteio os cabelos que tanto tenho medo que caiam e quando eu uso roupas que eu não queria usar, mas, que são as únicas servem em mim, eu desabo literalmente. O lado bom é que já sinto o gosto da comida, meu paladar voltou, o fôlego também, já consigo calçar meus sapatos de salto agulha novamente e o tato d as pontas dos dedos melhoraram, o estômago ainda continua “revirado”, e a boca seca, mas, agora esse sintomas físicos são tão pequenos com os sintomas emocionais que sinto.


Queria ser que o que eu era antes, pelo menos por fora, pelo menos em corpo, e não entendo porque é tão difícil me encarar no espelho todos os dias. Porque é tão difícil me concentrar na vida que eu tenho agora.

 

E pq as pessoas tem que me mandar ser feliz? E porque todos acham que ser feliz é estar num estado de ilusão contínua? Ser feliz é viver de aparências? Eu demonstro ter uma vida tão infeliz assim?

 

Pois bem, digo que apesar dos pesares eu sou feliz…mesmo sofrendo com a não aceitação de minha nova imagem eu ainda pretendo viver no mundo dos vivos como uma viva. Não gosto de me iludir esta é a verdade, não gosto de viver uma vida encenada e vazia. Então vivo os meus momentos com intensidade da tristeza a alegria, da angústia à esperança…e assim vivo de conquista em conquista, um dia de cada vez e emoções a mil.

 

 Gosto de ficar em casa me entupindo de porcarias, na internet o dia todo, assistindo coisas engraçadas e sem fundamento, sozinha, reflexiva, sim, eu consigo ser feliz no meu quarto, tudo que preciso neste momento está nele. Fico feliz com pouco. Uma folha de sulfite branca, muita imaginação, um lápis e criatividade. Afinal, sou livre em meu pensamento, sou sã e no meu pensamento eu posso tudo. Posso inclusive, trazer à memoria aquilo que me dá esperança.

 

Cada um tem sua medida de satisfação e a minha é pequena, mas, suficiente para me fazer concordar de que a vida é boa e muito boa para ser perdida. Hoje posso dizer seguramente que a leucemia não foi a pior coisa que aconteceu em minha vida, mas, foi por ela que eu entendi a fragilidade da estrutura humana. A fragilidade com que somos feitos e é isto me dói, não somos super-homens, não somos super seres, somos uma bolha de sabão, levandos pelo vento e  soprado em multi direções.

Como diz Schopenhauer, quando você analisa sua vida em retrospecto, tem a impressão de que seguiu um enredo, mas, no momento da ação, parece o caos: uma surpresa atrás da outra. Depois, mais tarde, você vê que foi perfeito. E tem uma teoria: se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.

Então viva! …

Viva cada dia, a sua medida de felicidade nunca dê ouvido aos que os outros acham que é felicidade, pois a sua nunca será como a dos outros, cada um tem o seu ponto de felicidade…

…Descubra o seu e viva!

 

” Não escreverei versos chorosos cantando tristezas infinitas, amores impossíveis, saudades dolorosas, paixões trágicas e não correspondidas. Tenho a vocação para a felicidade. Ser feliz não me traz sentimento de culpa.  Não preciso da tristeza para justificar a inutilidade da vida.  Não preciso morrer e ir ao céu para encontrar a felicidade.Quero-a e tenho-a neste espaço terreno do aqui e do agora. A felicidade, tal e qual, o amor, está dentro de mim, e transborda em ternuras, em melodias, em carinhos, em alegrias, em cantos e encantos. Sou feliz e não preciso me justificar. Sorrio sem ver passarinho verde.  Não tenho medo de ser feliz . Faço minha estrela brilhar sem receio dos encontros, desencontros, encantos e desencantos que o amor me diz.

Contrariedades? Eu as tenho! E quem não as tem na vida secular? Escassez de dinheiro?  Nem é bom falar. Amores não correspondidos? Separações? Rejeições? Saudades incuráveis? Carinhos reprimidos, ternuras guardadas, sem a contra parte do outro?  Eu tenho aos montões. Sou o rei das perdas necessárias ao meu crescimento. Contudo quem não soube a sombra não sabe a luz.E num livro de matemática existencial juntei todos esses problemas insolúveis, com as respostas nas últimas páginas. Mas pra que me debruçar sobre eles, procurando a solução se a própria vida me conduz a resposta final? Sem medo de ser feliz, vou por aqui e por ali… Por onde os caminhos, as trilhas, os atalhos me levarem, traçando meu rumo. Às vezes com alguma tristeza.  Mas quem disse que felicidade é o contrário de tristeza? Tristeza é só uma momentânea falta de alegria! É, amigo, amanhã é sempre um novo dia, e quando a infelicidade passar por aqui, minhas malas estarão prontas para eu ir por ali.”

(Autor desconhecido)

 

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1 Response to "O “ser” na estrutura de uma bolha de sabão!"

Até agora eu me perguntava de que vale a alegira que sinto se ninguem a coompreende, e como eu não tinha respostas ficava triste me sentindo o mais sortudo dos seres e tambem o mais egoista por nao ter com quem dividi-lo. Até que li um pedacinho de seu blog.
Claro que vou voltar a le-lo
Parrrei para te dizer que estou ainda mais feliz de saber que voce existe.

Queria ser que o que eu era antes, pelo menos por fora, pelo menos em corpo, e não entendo porque é tão difícil me encarar no espelho todos os dias. Porque é tão difícil me concentrar na vida que eu tenho agora.

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